quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Os Dióscuros

No côncavo espaço da santidade,
emerge, vinho muito doce,
a figura de dois adolescentes...
Gêmeos de carne e potência,
Patilham risos e gestos,
esgares e indecência.
Ora abandonados pela infância,
da madureza inda inscientes,
sua tenra beleza transita
no duplo espaço da incerteza.
O riso puro é quase um acinte,
à mão que a agita o cetro, à realeza,
O anjo tutelar que os protege,
desvia o olhar para a moldura
branco que os contém, tanto neles
a vida se detém e se depura.


Poema que nunca lerás

Quando tu te ias, permaneciam
miríades de partidas.
Que mal reparavas na tarde
que, transparente, nos envolvia.
Depois, as volutas do tempo
Dissolviam a noite, de perfumes luzidia,
anúncio expectante, mais te ias...
Com nossos casacos trocados,
nem pressentíamos, celerados,
que a feroz solidão volvia
para nós sua fauce fria
e preparava bote mortal
à nossa ingênua alegria. 
E do tempo em que tu  te ias,
ficou tudo e nada: poesia.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Fragment 1



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Vermelho

          Inspeciono a palavra vermelho e recolho Verme, Hermes, Melhor, Velho, Verve. Tudo é tinta rubra no papel em que a pena traça sua presença? Especulo. Espéculo. A palavra vermelho seria verde. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!




Fragmento 1 - 24/04/2016