quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Poema que nunca lerás

Quando tu te ias, permaneciam
miríades de partidas.
Que mal reparavas na tarde
que, transparente, nos envolvia.
Depois, as volutas do tempo
Dissolviam a noite, de perfumes luzidia,
anúncio expectante, mais te ias...
Com nossos casacos trocados,
nem pressentíamos, celerados,
que a feroz solidão volvia
para nós sua fauce fria
e preparava bote mortal
à nossa ingênua alegria. 
E do tempo em que tu  te ias,
ficou tudo e nada: poesia.

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