sexta-feira, 15 de maio de 2009

Por que as mães e os amores se vão em maio









Por que as mães e os amores se vão em maio

Quando o inverno se insinua e nuvens ligeiras

Percorrem o céu noturno e a falta essencial

Se revela na cama desfeita, no guarda-roupa vazio

Na toalha que pende e rescende ao último banho.

 

Por que a tristeza tem que embalar objetos

Recolher os restos,  conformar-se ao que não foi

E percorrer os cômodos  silenciosamente

À procura de vestígios de alguma presença

Que agora é apenas  memória e solidão.

 

Por que as mães e os amores se vão em maio

Quando o tempo nos lembra de que nada refaz

O percurso do possível  e fica apenas a imagem

Do último afago, do calor das mãos.  Miragem

A calar a falta em palavras que já não são.

15 de maio de 2009, 22:49h

Imagem: Melancolia, de Edvard Munch

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