
Por que as mães e os amores se vão em maio
Quando o inverno se insinua e nuvens ligeiras
Percorrem o céu noturno e a falta essencial
Se revela na cama desfeita, no guarda-roupa vazio
Na toalha que pende e rescende ao último banho.
Por que a tristeza tem que embalar objetos
Recolher os restos, conformar-se ao que não foi
E percorrer os cômodos silenciosamente
À procura de vestígios de alguma presença
Que agora é apenas memória e solidão.
Por que as mães e os amores se vão em maio
Quando o tempo nos lembra de que nada refaz
O percurso do possível e fica apenas a imagem
Do último afago, do calor das mãos. Miragem
A calar a falta em palavras que já não são.
15 de maio de 2009, 22:49h
Imagem: Melancolia, de Edvard Munch
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