sábado, 31 de janeiro de 2009

O Túmulo

Toquei o caos com um dedo trêmulo
Ouvi o gemido da derrocada de tudo
Lambi no sabão a poeira das estrelas extintas
Meti meu dedo no funil das esferas turbilhonantes
Um signo indecifrável foi gravado em minha fronte pensa
Engoli as geleiras quando se lançavam do pólo
Nos cantos dos meus lábios, o gelo se liquefez
Pisoteei meus olhos numa aflição de cavalo domado
Amarrei meus sapatos com cordas de um violino mudo
Adocei meu chá com o pó dos antepassados
Desdichado, meu olhar turvou-se ao sol da melancolia
Mas ainda não lapidei o túmulo de meu pai.
(Melancholia - Albrecht Dürer)

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