
O vento assoviou às moscas e um enxame negro invadiu a transparência da tarde tórrida. Armei-me inutilmente com o punhal da indiferença. Sua lâmina afiada fez sangrar a mão que o retinha. No tormento, lembrei-me da flecha preta da canção e das almas estiradas no curtume. Veio então assombrar-me a imagem de um corpo secando ao sol, coberto de moscas burdonantes, braços e pernas vazios de carne, fisgados por cravos numa cruz em x. No meio dia esfuziante de luz, bem longe do Velho Chico, a fantasmagoria projetava na poeira do chão pedregoso uma sombra negra. Era meu ciúme.
