terça-feira, 24 de março de 2009

A Palavra e a Coisa


A noite não cairá hoje e o sol brilhará mais dois dias sobre a cidade santa. Meu avô usava chapéu de feltro e era conhecido como seu Nené. Seu Nené vagueava pelas veredas de cimetrole, enquanto eu engastava meus pés de vôo nas pegadas petrificadas do dinossauro. Não, não tô com vontade hoje, nem vem, vai...O colosso ria escondido sob o véu da antiguidade. Como poderei cortar mel com faca? Obstruíram a passagem entre a pitangueira e o muro verde de musgos ridentes. A padaria é logo ali e o senhor poderá descansar um pouco. Luz, luz, exclamou Lúcifer, quando seus pés tocaram o abismo. Mas a luz não se fez e restou esse hiato eterno entre a palavra e a coisa. (13/12/07)

Foto: Cemitério Nossa Senhora do Carmo - São Carlos.


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