sábado, 21 de março de 2009

Minas


Tomei a estrada de Minas hesitando entre a postura do viajante encantado e a angústia do doente que visita outro doente. O pó da estrada me fez perder o medo da terra e aceitei com volúpia o bolo de milho que me ofereciam no meio do nada. Seu amarelo vivo reapareceu à noite, quando  despontou no céu uma lua barriguda, grávida entre fiapos de nuvens. O coração de Minas me trouxe café quente e biscoito de polvilho e coberto de poeira e cansaço, adormeci como os minérios que jaziam sob meu leito, em solo que minha imaginação, empunhando a pá do mistério, escavou até o amanhecer. Quando o sol  se insinuou na colina, ofereci-lhe, para que contasse entre os seus raios, um revérbero de cristal, encontrado a trinta palmos de profundidade, no solo pedregoso do meu sono.
 (Sete Lagoas, 20/09/08; Foto: Céus de São Carlos, 02/09)

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