segunda-feira, 25 de abril de 2016
Vermelho
Fragmento 1 - 24/04/2016
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Solidão
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Domingo e ausência
O frio e a chuva perfazem o percurso de distância e água
Pesa sobre meu peito um bloco de tristeza e mágoa
Calo tua ausência em tudo o que é aparência e despiste.
Talvez seja apenas o começo e talvez seja demais
Do destino vislumbro o rosto por detrás da máscara
Os dias se sucederão no vazio de tua passagem áspera
Não sei explicar por que, mas aos domingos dói mais.
24/25 de agosto de 2009
Imagem: Edvard Munch, "Separação"
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Segmento de curva

sexta-feira, 15 de maio de 2009
Por que as mães e os amores se vão em maio

Por que as mães e os amores se vão em maio
Quando o inverno se insinua e nuvens ligeiras
Percorrem o céu noturno e a falta essencial
Se revela na cama desfeita, no guarda-roupa vazio
Na toalha que pende e rescende ao último banho.
Por que a tristeza tem que embalar objetos
Recolher os restos, conformar-se ao que não foi
E percorrer os cômodos silenciosamente
À procura de vestígios de alguma presença
Que agora é apenas memória e solidão.
Por que as mães e os amores se vão em maio
Quando o tempo nos lembra de que nada refaz
O percurso do possível e fica apenas a imagem
Do último afago, do calor das mãos. Miragem
A calar a falta em palavras que já não são.
15 de maio de 2009, 22:49h
Imagem: Melancolia, de Edvard Munch
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Santa Teresinha

A porta entreaberta deixa entrever apenas a fímbria do hábito marrom das carmelitas. No chão, aos pés da virgem, jaz uma fita, estampada com pequenas flores azuis sobre um leve fundo rosa. Uma ondulação tênue perpassa o corpo da fita e as florinhas parecem movimentar-se em uma superfície líquida. Adivinho, nesse ondular de lago calmo, os movimentos de Teresinha que, reclinada sobre a escrivaninha, compõe a história de sua alma. Imagino então os dedos rosados da mão direita pressionando a pena de ganso afiada, em cuja ponta reverbera o negrume da tinta. Vejo a pele translúcida dos dedos que, a cada esforço da pena sobre o papel, torna-se esbranquiçada pelo sangue que reflui. É assim que imagino o ato de escrever de Teresinha, sangue em fuga em uma madrugada alvacenta de atmosfera azul e rosa. Ali, um coração espinhado descobre a vocação do amor infundido em todas as coisas. Doutora em Amor, Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face escolhe tudo: não quer ser santa pela metade.
Imagem: Foto mortuária de Santa Teresa do Menino Jesus


