domingo, 1 de fevereiro de 2009

De profundis clamavi


Das profundezas clamei e outras profundezas se abriram sob meus pés. Quando soou meio dia no campanário, perfilei meu exército de vontades mortas e ordenei o ataque. Seres disformes subiam pelas paredes na ânsia de aniquilar-se em Deus. Ao chegar à superfície, uma brutal chicotada de vento precipitou-me novamente no abismo. E desde então ranjo meus dentes apodrecidos pela calúnia e rôo minhas unhas aduncas, que nunca deixarão marcas roxas na carne doce dos herdeiros.
(Imagem: "De profundis clamavi" de Rubens Franco: http://www.rubensfranco.blogspot.com/)

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