
Lábios deixam rastros de saliva entre a terceira e a quinta costela. Tremor de campânulas ao vento das palavras. A língua do poeta é uma língua sem papilas. O tato já não queima, o aroma já não inebria, o sal já não salga. No entanto, quando uma curva se insinuou debaixo do lençol da aridez, a poesia deu um salto no desconhecido. O poeta então adormeceu, liberto de toda ânsia.
(Salvador Dali - La tentation de Saint-Antoine)
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