
O ruído líquido dos pneus no asfalto fez meu pensamento penetrar as camadas do pavimento. Conheço esses estratos de pedras unidas por alcatrão e cálculo. Por baixo delas, jaz a terra avermelhada e depois o basalto negro, filho dileto do magma puro. Como um leão adormecido à sombra, saciado pelo cheiro do sangue da caça recente, um bólido anímico repousa entre a resina e as pedras. Os sensíveis são capazes de perceber suas vibrações invisíveis e de decifrar a linguagem dos subterrâneos. Mas como sacrifiquei uma vítima impura no altar da Urbe, já não sou mais um deles.
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